segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A Prática da Falsidade Post-Mortem

Steve Jobs morreu. Mas não espere muitos elogios por aqui.

Antes vamos constatar e comemorar um fato inusitado. Estou nesse exato momento abrindo uma lata de cerveja para celebrar que... eu estava certo! A Inglaterra entrou em colapso como eu previ no primeiro post “Kate Middleton”.

Sem grandes vangloriações por aqui. Apenas gostaria de lembrá-los de que muitos dos que vieram e me disseram “Você não tem prova alguma do que está falando”, ou, melhor ainda, disseram “Tu é a pessoa mais louca que eu conheço”, achando que se tratava de um blog de, pasmem, humor, não vieram e me disseram “Você estava certo” quando a galera quebrou vidraças e espalhou o caos. O caos que EU previ!

Sem julgamentos quanto aos ingleses. Apenas gostaria de deixar claro que um dos fatos que ajudou este gênio a prever a tragédia foi de que, eles estão, afinal, certos em se indignar. “Quiet desperation” é apenas uma forma sutil de dizer que alguém tem um relógio-bomba instalado dentro de si mesmo, e, eventualmente, ele vai se tornar barulhento.

Steve Jobs morreu.

Por deus, leitor. Veja a época em que vivemos. Um homem morre e todo um culto por uma empresa explode multiplicando sua incidência. Mas tratemos disso depois, ainda.

Acho que o ocidente ainda vai sofrer muito com sua herança católica. Juro. Você pensa que é ateu? Veja nossas práticas! Michael Jackson, Steve Jobs, Amy Winehouse. Todos amplamente criticados e chineleados na mídia e nas mesas de bar. Antiéticos, pecadores, transgressores, todos os espectadores sustentaram opiniões diversas em dois pólos: os admiradores e os que os odiavam. Normal. Mas ao passo que um morre, os que odiaram se juntam, misteriosamente, aos admiradores, uma contradição gigante quanto à prática e crença em suas opiniões!

Por que isso? Porque viver é feio e é pecado. É a nossa infeliz origem cristã: você é um pecado e um pecador e um filho da puta graúdo enquanto vive. Mas, pelo santo graal, prometo que quando você morrer vai ser acariciado como um cãozinho - muito embora não estará aí para presenciar e se deleitar com isso.

Veja o caso de Jackson. Eu juro - juro pelas minhas bolas e pelas minhas sobrancelhas - que eu ouvi as mesmas pessoas que diziam “Filho da puta pedófilo” quando o viam na televisão, dizerem “Coitado, não foi compreendido pela sociedade, ele gostava daquelas crianças, nunca causou mal algum a nenhuma delas”.

É ÓBVIO que ele comia aqueles fedelhos! Veja o moleque loiro do Esqueceram de Mim: nenhum pai poderia causar TANTO estrago assim. Foi o dançarino tarado!

O mesmo vai acontecer com Jobs. Todos os que criticaram seus produtos, suas criações e seu método de trabalho (sim, ele era um pau no cu extremamente antipático com seus empregados e os tratava como merda) vão ir correndo comprar o iPad 2 antes que alguém compre o seu iPad antes.

Eu simplesmente não posso com isso. Não aguento. Pessoas desenhando maçãs por tudo e chorando as pitangas. Veja a que nível de tédio conseguimos chegar. O culto de uma empresa! Vamos considerar alguns fatos:

1 - Jobs sempre cobrou uma fortuna pelas porcarias que fez. Elas nunca conseguiram sustentar o preço por si só: elas eram aumentadas pelo preço que era cobrado. Convenhamos.

2 - Jobs fazia parte de um movimento - e dieta - de comer apenas frutas. O cara só comia frutas! Você confiaria em alguém que só come frutas?

3 - Se ele só comia frutas, o que fez com todo aquele dinheiro? O cara foi mais rico que o tio Patinhas e não doou um puto! O que ele fez com todo aquele dinheiro? Ele ficou mais rico que a Microsoft!

Eis que chegamos ao cerne da questão. Macfreaks e não macfreaks vão idolatrando um sujeito marketeiro que não fez a menor diferença para o mundo a não ser lançar produtos para a classe alta. Valorizamos produtos, e não arte. Valorizamos empresas, e não atos. Os bairros nobres choram a morte de um ícone comercial. Os bairros mais baixos... bem, a vida segue, não? Quem é esse sujeito que morreu que os chineses imigrantes dos EUA estão mandando bilhetinhos e cartas de amor para lojas americanas?

“Mas ele criou os produtos! Ele foi um artista, um visionário!”.

Chupe minhas bolas. Use sua criatividade para enfiar um objeto estranho no rabo, não para criar uma tendência, uma segregação.

Aos que não conhecem o profético post sobre a família real inglesa, aqui vai! Comprem meus produtos! Eles são mais práticos e mais cool que os demais!

http://colunapatofrenica.blogspot.com/2011/04/kate-middleton.html

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O Fim da AIDS

Você viu? Você viu? Você viu? Não?

Ciência: um americano se curou da AIDS nos EUA! Allright! Finalmente uma noticia boa por aqui!

Essa frequência baixa de noticias boas reflete a podridão do mundo e a nossa estranha afeição por notícias ruins e catastróficas: terremotos e tsunamis no Japão, morte aqui, morte ali, pobreza. É como se quiséssemos viver Hollywood nos noticiários. Ou você vai me dizer que não gosta de filmes com catástrofes naturais e apocalípticas com mortes caricaturais? O ser humano tem um apreço secreto pelo sofrimento alheio.

Outro dia deu uma briga num bar e dois caras saíram ensanguentados. Uma moça veio falar comigo e não conseguia calar a boca com esse assunto. Eufórica, foi narrando sua indignação. Eu citei Trainspotting: “People think its all about misery and desperation and death and all that shite, which is not to be ignored. But what they forget is the pleasure of it. Otherwise, we wouldn’t do it! After all, we are not fuckin stupid. At least not that fuckin stupid”. Em seguida, falei que aqueles eventos ocorriam para divertir nossas vidas entediadas. Ela ficou brava e disse que não gostava daquilo. “Como não?” eu disse. “Cá está você extremamente excitada, falando com um estranho com a maior naturalidade”. Ela se afastou de mim, assustada. Coisas da vida.

Tratemos do milagroso americano! O cara contraiu o vírus em 2005. Em 2010, teve leucemia, e começou a tratar com células tronco e depois quimioterapia, ou algo assim – não pergunte para mim, vá se informar você mesmo. O fato é que depois de todo o fusuê, o sujeito fez o teste de novo. Limpinho da silva! Sabe o que isso significa? Adeus borrachinha da insensibilidade!

A questão da camisinha permeia um sistema perverso. Quatro reais e cinquenta centavos, um pacote com três! É muito caro, meu caro cidadão. E elas não valem tanto assim. Frequentador da mesma farmácia, eu pedia sempre a mesma coisa à mesma menina: um pacote de camisinhas. Pela enésima vez, eu pergunto: “Não tem nenhum descontinho para alguém severamente preocupado com a superpopulação e com causas sociais?” A resposta dela: “Não”. No dia seguinte eu apareço lá de novo: “Olá, querida”, eu digo a ela. “Vocês têm aquela tal da pílula do dia seguinte?”. Coisas da vida.

A questão é que com a iminente volta da santa banalização das doenças venéreas, consequentes da queda do império do retrovirus, haverá uma possível decadência da moralidade sexual, o que levará a um uso extremamente limitado e moderado das borrachas fedorentas (apenas aos otários), e um maravilhoso aumento nas atividades sexuais. Em outras palavras: menos capa, mais pele. E não é nenhum segredo para nós que assim é bem melhor. As indústrias de látex verão seus gráficos e lucros caindo na velocidade da luz, enquanto os santos anticoncepcionais estarão se afogando em um nível astronômico de dinheiro. O risco remanescente é a gravidez, e esse é o mais evitável, apesar de também o mais temido, dos riscos do sagrado sexo desprotegido. A verdade é que as pessoas usam camisinha por causa da gravidez, não da AIDS, mas o fim da segunda levará a um consumo excessivo de anticoncepcionais e baby-killers.

O próximo passo será fazermos brincadeiras e darmos risadas da aids do mesmo jeito que fazemos com o corrimento verde da gonorréia.

Ademais, descobriram um planeta que não gira em torno de nenhum astro. Nada de mais, nenhum meteoro em rota de colisão com a Terra, nem alienígenas fazendo contato.

Esse fim de semana fiquei sabendo que o governo americano manda sinais para o universo em busca de resposta. “O que esses porcos mandam?” eu pensei. Adivinhe: eles mandam nada mais do que o pi. O PI! Aquele número patético! E eles mandam o pi até o último decimal conhecido aqui, para mostrar como somos inteligentes.

Leitor, pare e pense por um segundo. Você recebe uma mensagem com um número enorme e um tipinho filho da puta e arrogante tentando parecer inteligente. Você perderia tempo respondendo? Que ao menos mandasse uma música, ou uma foto da Penélope Cruz ou das praias no Caribe. Ou dos dois! Mas não um número!

“Esqueça, Zanero, essa raça sempre manda esse número fútil e imbecil. Eles devem dar importância demais ao que não tem relevância alguma, está na cara que é um povo entediante. Vamos até a constelação de Fraszeron tomar uma cervejinha e dar uma conferida nas minas. Vai ter um show do Syd por lá...”.


Theo S. da Rocha

sexta-feira, 6 de maio de 2011

sem titulo


O mundo está mudando! E chegando a um prazo final. Antes tarde do que nunca.

É dito por aí que um grande vilão chamado Osama Bin Laden morreu. Lá vamos nós com toda a indústria midiática: livros e filmes sobre a vida do sujeito serão lançados. Notícias sairão a cada segundo com uma fofoca nova e um fato novo sobre o finado e sobre a suposta operação.

Faremos uma pausa antes de tratar dessa irrelevância para abordarmos outra. Na outra coluna eu falei da família real. Eu perdi o casamento na televisão, já que tinha o compromisso inegável de dormir, mas vocês viram o chapéu daquela mina? Por deus! Quando começarmos a invadir planetas, que tal todos nós usarmos um daqueles chapéus, para parecer grandes seres cruéis feitos de mal-gosto com perfumes caros e ensinar ao planeta invadido nossos terríveis hábitos – e talvez dar alguns desses chapéus. Vale a pena uma foto, logo acima postada: “Somos terráqueos. Viemos em paz! Vistam nosso chapéu por apenas 3 dolares e cinquenta!”. Santo deus!

Retornando, ora, vamos assumir que o senhor Bin de Laden não está nem perto de morto! Acha que os EUA não iriam querer exibir imagens disso, se gabando, para o mundo inteiro? Olha o que fizeram com o Saddam! Desta vez eles estão quietinhos demais para seu “grande feito”. Vai por mim, eu entendo dessas coisas.

Ademais, vamos ao assunto dessa coluna. O fato mais importante dos últimos anos: Um fotógrafo captou em uma imagem a briga de um hipopótamo com um crocodilo.

Mas... mas...

Sim, foda-se o oriente médio e todo esse blablabla. Nada do que realmente aconteceu chegará aos nossos ouvidos, ou olhos. Apenas teorias divertidas da conspiração. A questão é que a fantástica notícia do hipopótamo obviamente ocupou a capa, a primeiríssima página de dois jornais! Por que?

Bem, é um pequeno passo para os animais, ou a natureza, mas um grande passo para a humanidade. Mas deixe isso em espera, novamente, por um momento.

Eu agradeço a paciência.

Mãe coruja essa hipopótamo que superprotege seus filhos. Isso se vê por aqui, mas apenas em alguns lugares. Estranhos progenitores com carteiras gordas em seus bolsos da bunda de calças caras ou de bolsas tira-colo (esqueça a alusão ao aborto, é apenas uma utopia) guardam seus filhinhos e filhinhas em casa achando que vão conseguir evitar a proximidade com todo e qualquer perigo. Então se cria um fantástico ser que não busca o perigo, mas o cultiva. Oferece perigo aos demais em situações diversas por nunca ter sentido ele. Dirigem a cento e cinquenta por hora em avenidas, mas tudo bem, porque o carro é blindado.

Assim, mãe coruja-hipopótamo, se ganhou a briga, levou os filhos ao shopping para relaxar comprando um casaco e um perfume importados para que eles frequentem seus colégios particulares em grande estilo, e, assim, fazerem mais amigos.

Mas a mãe ganhou a briga?

Yeah! Finalmente! Chegamos ao ápice da coluna, o real motivo de eu escrever por aqui hoje. Não se sabe quem ganhou a briga.

Tem noção disso, caro leitor? É um feito inédito na história da humanidade e da mídia! Uma notícia de capa foi genuinamente, e sem nenhuma má-intenção, imparcial! “Hipopótamo briga com crocodilo e o momento foi capturado em fotografia”. Mas eles não dizem quem ganhou a briga! Isso sim é não escolher lados! Que exposição plana e sem opinião, um relato genuíno! Ó céus! A teoria invadiu a prática! Ela que vista o chapéu agora, e saia por aí com um alto e fantástico chapéu rosa de lacinho!

A prática finalmente se sujou na lama da teoria. O gonzo está ao seu fim. Pobre Hunter, jamais esperaria que teria sua podridão (ou nobreza) destituída e diluída na derrota de lados para, pasmem, uma mãe hipopótamo de classe alta!

Pelo menos não foi uma criatura da familía real com um chapéu tão neutro quanto a zero hora.


Theo S. da Rocha

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Kate Middleton

Pode parecer futilidade – mas não é. De qualquer jeito, esqueça tudo o que você viu na televisão e nas revistas. Tratemos de uma vez por todas, sem delongas: Kate Middleton.

Aos desinformados, Kate está se casando com o príncipe – por deus, esqueci o nome do sujeito – mas é o herdeiro do trono inglês! Ou seja, ela um dia será a próxima rainha da Inglaterra. Sim, sabemos que a família real nada significa para a política inglesa alem de mero passatempo recheado de – pasmem – glamour. Mas algo deve ser falado sobre Kate.

Classificada como plebéia pelos tablóides, ela nada tem de classe baixa. É rica e patricinha. Apenas cultiva os hábitos e linguagem humanos do dia a dia que se aplica ao mundo inteiro – exceto ao palácio de Buckingham. Acha que vive um conto de fadas, e se veste bem, atribuindo fútil importância às vestes. Mas, convenhamos, possui um dos sorrisos mais lindos já fotografados na história humana.

Sim, leitor, de algum jeito um sujeito abobado com cara de bocó e de “ããã” como o príncipe fisgou um pedaço de carne realmente raro na Grã-Bretanha – e quem já esteve lá que o diga: é terra de brucutu. De algum jeito, deus deu uma forma não inglesa a uma criatura inglesa, e de fato ela saiu melhor que o esperado.

Esqueça comparações com Diana, ou de tentativas de traçar sua personalidade como “perseverante” ou “perspicaz”. Não tratemos das virtudes e defeitos de Kate, embora eu não tenha conseguido resistir e acabar falando de seu sorriso. Esqueça casamentos, e hipotetizações sobre quem é o que ou quem presta ou não. Ninguém da alta sociedade inglesa, com um estilo posh de ser, presta para algo. O que deve ser falado é que o Reino Unido está destinado, por causa desse casamento, a uma crise econômica séria.

Vamos aos fatos. A família real sempre foi um retiro de brucutus e jaburus. O rosto da rainha nas notas de libra esterlina atormenta cada um de nós como a cena em que o Nosferatu morde a infeliz vítima, com seus dentinhos juntinhos. Agora guarde essa informação.

Uma pesquisa foi feita, que constatou que a média de tempo de um inglês para gozar numa relação sexual é de 30 segundos. Sim, leitor, 30 segundos. A média. Ademais, é um fato indubitável – embora eu não tenha prova alguma disso – de que os ingleses pensam na família real, e especificamente na rainha, para segurar sua ejaculação e poder transar por mais tempo.

Agora pense, imagine o estrago, se, enquanto você homem estiver transando e sentir que deve segurar o tranco, for pensar na rainha, subitamente a imagem de Kate (sorrindo, é claro) aparece em sua mente. De acordo com alguns cálculos meus, a média baixaria para dez segundos.

Dez segundos, leitor. Dez segundos! Consegue imaginar o estrago? O clássico “quiet desperation” que é o jeito inglês não tardará nem um pouco a se tornar “noisy desperation”. Pessoas sairão na rua se agredindo, gritando. A bolsa de Londres despencará, e a Inglaterra retornará à idade da pedra. Tudo porque, pela primeira vez na história, haverá uma rainha sexualmente atraente.

Esqueça o fato de que ela é paty. Esqueça o fato de que a família real nada mais é que o enfeite inglês à sua política parlamentarista extremamente maquiavélica. Kate veio para pilhar. Sua mãe estava mascando chiclete na cerimônia de formação militar – ou algo assim – do príncipe insignificante. Ela é do tipo que fala de boca cheia, e grita “FUCK” quando um pedaço de comida voa de sua boca. Mas não se engane: a família é indistintamente posh. Eles apenas têm origens não-aristocráticas.

E as notas de libra esterlina? Teremos o clássico trabalhador subempregado que coletará suas vinte libras de pagamento por dia. Cansado, olhará com desânimo para a nota e lá estará uma rainha não apenas sorridente, mas bonita e sortuda, rindo do azar de quem quer que receba apenas um exemplar daquela nota.

E digo ainda mais! Se uma arma é perigosa na mão de uma criança, se torna mais perigosa ainda se a criança sabe usá-la: Kate sabe de seu sorriso. Ela mesma já disse que é muita areia para o príncipe! Inteligência? Não se deixe enganar: necessidade.

O fim está chegando. Todavia, aparentemente chegará antes no Reino Unido. Isso não faz a menor diferença na minha vida. Afinal, eu nunca pensei na família real para retardar minha ejaculação. Não que não tenha precisado...


Theo S. da Rocha