Steve Jobs morreu. Mas não espere muitos elogios por aqui.
Antes vamos constatar e comemorar um fato inusitado. Estou nesse exato momento abrindo uma lata de cerveja para celebrar que... eu estava certo! A Inglaterra entrou em colapso como eu previ no primeiro post “Kate Middleton”.
Sem grandes vangloriações por aqui. Apenas gostaria de lembrá-los de que muitos dos que vieram e me disseram “Você não tem prova alguma do que está falando”, ou, melhor ainda, disseram “Tu é a pessoa mais louca que eu conheço”, achando que se tratava de um blog de, pasmem, humor, não vieram e me disseram “Você estava certo” quando a galera quebrou vidraças e espalhou o caos. O caos que EU previ!
Sem julgamentos quanto aos ingleses. Apenas gostaria de deixar claro que um dos fatos que ajudou este gênio a prever a tragédia foi de que, eles estão, afinal, certos em se indignar. “Quiet desperation” é apenas uma forma sutil de dizer que alguém tem um relógio-bomba instalado dentro de si mesmo, e, eventualmente, ele vai se tornar barulhento.
Steve Jobs morreu.
Por deus, leitor. Veja a época em que vivemos. Um homem morre e todo um culto por uma empresa explode multiplicando sua incidência. Mas tratemos disso depois, ainda.
Acho que o ocidente ainda vai sofrer muito com sua herança católica. Juro. Você pensa que é ateu? Veja nossas práticas! Michael Jackson, Steve Jobs, Amy Winehouse. Todos amplamente criticados e chineleados na mídia e nas mesas de bar. Antiéticos, pecadores, transgressores, todos os espectadores sustentaram opiniões diversas em dois pólos: os admiradores e os que os odiavam. Normal. Mas ao passo que um morre, os que odiaram se juntam, misteriosamente, aos admiradores, uma contradição gigante quanto à prática e crença em suas opiniões!
Por que isso? Porque viver é feio e é pecado. É a nossa infeliz origem cristã: você é um pecado e um pecador e um filho da puta graúdo enquanto vive. Mas, pelo santo graal, prometo que quando você morrer vai ser acariciado como um cãozinho - muito embora não estará aí para presenciar e se deleitar com isso.
Veja o caso de Jackson. Eu juro - juro pelas minhas bolas e pelas minhas sobrancelhas - que eu ouvi as mesmas pessoas que diziam “Filho da puta pedófilo” quando o viam na televisão, dizerem “Coitado, não foi compreendido pela sociedade, ele gostava daquelas crianças, nunca causou mal algum a nenhuma delas”.
É ÓBVIO que ele comia aqueles fedelhos! Veja o moleque loiro do Esqueceram de Mim: nenhum pai poderia causar TANTO estrago assim. Foi o dançarino tarado!
O mesmo vai acontecer com Jobs. Todos os que criticaram seus produtos, suas criações e seu método de trabalho (sim, ele era um pau no cu extremamente antipático com seus empregados e os tratava como merda) vão ir correndo comprar o iPad 2 antes que alguém compre o seu iPad antes.
Eu simplesmente não posso com isso. Não aguento. Pessoas desenhando maçãs por tudo e chorando as pitangas. Veja a que nível de tédio conseguimos chegar. O culto de uma empresa! Vamos considerar alguns fatos:
1 - Jobs sempre cobrou uma fortuna pelas porcarias que fez. Elas nunca conseguiram sustentar o preço por si só: elas eram aumentadas pelo preço que era cobrado. Convenhamos.
2 - Jobs fazia parte de um movimento - e dieta - de comer apenas frutas. O cara só comia frutas! Você confiaria em alguém que só come frutas?
3 - Se ele só comia frutas, o que fez com todo aquele dinheiro? O cara foi mais rico que o tio Patinhas e não doou um puto! O que ele fez com todo aquele dinheiro? Ele ficou mais rico que a Microsoft!
Eis que chegamos ao cerne da questão. Macfreaks e não macfreaks vão idolatrando um sujeito marketeiro que não fez a menor diferença para o mundo a não ser lançar produtos para a classe alta. Valorizamos produtos, e não arte. Valorizamos empresas, e não atos. Os bairros nobres choram a morte de um ícone comercial. Os bairros mais baixos... bem, a vida segue, não? Quem é esse sujeito que morreu que os chineses imigrantes dos EUA estão mandando bilhetinhos e cartas de amor para lojas americanas?
“Mas ele criou os produtos! Ele foi um artista, um visionário!”.
Chupe minhas bolas. Use sua criatividade para enfiar um objeto estranho no rabo, não para criar uma tendência, uma segregação.
Aos que não conhecem o profético post sobre a família real inglesa, aqui vai! Comprem meus produtos! Eles são mais práticos e mais cool que os demais!
http://colunapatofrenica.blogspot.com/2011/04/kate-middleton.html
