Você viu? Você viu? Você viu? Não?
Ciência: um americano se curou da AIDS nos EUA! Allright! Finalmente uma noticia boa por aqui!
Essa frequência baixa de noticias boas reflete a podridão do mundo e a nossa estranha afeição por notícias ruins e catastróficas: terremotos e tsunamis no Japão, morte aqui, morte ali, pobreza. É como se quiséssemos viver Hollywood nos noticiários. Ou você vai me dizer que não gosta de filmes com catástrofes naturais e apocalípticas com mortes caricaturais? O ser humano tem um apreço secreto pelo sofrimento alheio.
Outro dia deu uma briga num bar e dois caras saíram ensanguentados. Uma moça veio falar comigo e não conseguia calar a boca com esse assunto. Eufórica, foi narrando sua indignação. Eu citei Trainspotting: “People think its all about misery and desperation and death and all that shite, which is not to be ignored. But what they forget is the pleasure of it. Otherwise, we wouldn’t do it! After all, we are not fuckin stupid. At least not that fuckin stupid”. Em seguida, falei que aqueles eventos ocorriam para divertir nossas vidas entediadas. Ela ficou brava e disse que não gostava daquilo. “Como não?” eu disse. “Cá está você extremamente excitada, falando com um estranho com a maior naturalidade”. Ela se afastou de mim, assustada. Coisas da vida.
Tratemos do milagroso americano! O cara contraiu o vírus em 2005. Em 2010, teve leucemia, e começou a tratar com células tronco e depois quimioterapia, ou algo assim – não pergunte para mim, vá se informar você mesmo. O fato é que depois de todo o fusuê, o sujeito fez o teste de novo. Limpinho da silva! Sabe o que isso significa? Adeus borrachinha da insensibilidade!
A questão da camisinha permeia um sistema perverso. Quatro reais e cinquenta centavos, um pacote com três! É muito caro, meu caro cidadão. E elas não valem tanto assim. Frequentador da mesma farmácia, eu pedia sempre a mesma coisa à mesma menina: um pacote de camisinhas. Pela enésima vez, eu pergunto: “Não tem nenhum descontinho para alguém severamente preocupado com a superpopulação e com causas sociais?” A resposta dela: “Não”. No dia seguinte eu apareço lá de novo: “Olá, querida”, eu digo a ela. “Vocês têm aquela tal da pílula do dia seguinte?”. Coisas da vida.
A questão é que com a iminente volta da santa banalização das doenças venéreas, consequentes da queda do império do retrovirus, haverá uma possível decadência da moralidade sexual, o que levará a um uso extremamente limitado e moderado das borrachas fedorentas (apenas aos otários), e um maravilhoso aumento nas atividades sexuais. Em outras palavras: menos capa, mais pele. E não é nenhum segredo para nós que assim é bem melhor. As indústrias de látex verão seus gráficos e lucros caindo na velocidade da luz, enquanto os santos anticoncepcionais estarão se afogando em um nível astronômico de dinheiro. O risco remanescente é a gravidez, e esse é o mais evitável, apesar de também o mais temido, dos riscos do sagrado sexo desprotegido. A verdade é que as pessoas usam camisinha por causa da gravidez, não da AIDS, mas o fim da segunda levará a um consumo excessivo de anticoncepcionais e baby-killers.
O próximo passo será fazermos brincadeiras e darmos risadas da aids do mesmo jeito que fazemos com o corrimento verde da gonorréia.
Ademais, descobriram um planeta que não gira em torno de nenhum astro. Nada de mais, nenhum meteoro em rota de colisão com a Terra, nem alienígenas fazendo contato.
Esse fim de semana fiquei sabendo que o governo americano manda sinais para o universo em busca de resposta. “O que esses porcos mandam?” eu pensei. Adivinhe: eles mandam nada mais do que o pi. O PI! Aquele número patético! E eles mandam o pi até o último decimal conhecido aqui, para mostrar como somos inteligentes.
Leitor, pare e pense por um segundo. Você recebe uma mensagem com um número enorme e um tipinho filho da puta e arrogante tentando parecer inteligente. Você perderia tempo respondendo? Que ao menos mandasse uma música, ou uma foto da Penélope Cruz ou das praias no Caribe. Ou dos dois! Mas não um número!
“Esqueça, Zanero, essa raça sempre manda esse número fútil e imbecil. Eles devem dar importância demais ao que não tem relevância alguma, está na cara que é um povo entediante. Vamos até a constelação de Fraszeron tomar uma cervejinha e dar uma conferida nas minas. Vai ter um show do Syd por lá...”.
Theo S. da Rocha
