quarta-feira, 18 de maio de 2011

O Fim da AIDS

Você viu? Você viu? Você viu? Não?

Ciência: um americano se curou da AIDS nos EUA! Allright! Finalmente uma noticia boa por aqui!

Essa frequência baixa de noticias boas reflete a podridão do mundo e a nossa estranha afeição por notícias ruins e catastróficas: terremotos e tsunamis no Japão, morte aqui, morte ali, pobreza. É como se quiséssemos viver Hollywood nos noticiários. Ou você vai me dizer que não gosta de filmes com catástrofes naturais e apocalípticas com mortes caricaturais? O ser humano tem um apreço secreto pelo sofrimento alheio.

Outro dia deu uma briga num bar e dois caras saíram ensanguentados. Uma moça veio falar comigo e não conseguia calar a boca com esse assunto. Eufórica, foi narrando sua indignação. Eu citei Trainspotting: “People think its all about misery and desperation and death and all that shite, which is not to be ignored. But what they forget is the pleasure of it. Otherwise, we wouldn’t do it! After all, we are not fuckin stupid. At least not that fuckin stupid”. Em seguida, falei que aqueles eventos ocorriam para divertir nossas vidas entediadas. Ela ficou brava e disse que não gostava daquilo. “Como não?” eu disse. “Cá está você extremamente excitada, falando com um estranho com a maior naturalidade”. Ela se afastou de mim, assustada. Coisas da vida.

Tratemos do milagroso americano! O cara contraiu o vírus em 2005. Em 2010, teve leucemia, e começou a tratar com células tronco e depois quimioterapia, ou algo assim – não pergunte para mim, vá se informar você mesmo. O fato é que depois de todo o fusuê, o sujeito fez o teste de novo. Limpinho da silva! Sabe o que isso significa? Adeus borrachinha da insensibilidade!

A questão da camisinha permeia um sistema perverso. Quatro reais e cinquenta centavos, um pacote com três! É muito caro, meu caro cidadão. E elas não valem tanto assim. Frequentador da mesma farmácia, eu pedia sempre a mesma coisa à mesma menina: um pacote de camisinhas. Pela enésima vez, eu pergunto: “Não tem nenhum descontinho para alguém severamente preocupado com a superpopulação e com causas sociais?” A resposta dela: “Não”. No dia seguinte eu apareço lá de novo: “Olá, querida”, eu digo a ela. “Vocês têm aquela tal da pílula do dia seguinte?”. Coisas da vida.

A questão é que com a iminente volta da santa banalização das doenças venéreas, consequentes da queda do império do retrovirus, haverá uma possível decadência da moralidade sexual, o que levará a um uso extremamente limitado e moderado das borrachas fedorentas (apenas aos otários), e um maravilhoso aumento nas atividades sexuais. Em outras palavras: menos capa, mais pele. E não é nenhum segredo para nós que assim é bem melhor. As indústrias de látex verão seus gráficos e lucros caindo na velocidade da luz, enquanto os santos anticoncepcionais estarão se afogando em um nível astronômico de dinheiro. O risco remanescente é a gravidez, e esse é o mais evitável, apesar de também o mais temido, dos riscos do sagrado sexo desprotegido. A verdade é que as pessoas usam camisinha por causa da gravidez, não da AIDS, mas o fim da segunda levará a um consumo excessivo de anticoncepcionais e baby-killers.

O próximo passo será fazermos brincadeiras e darmos risadas da aids do mesmo jeito que fazemos com o corrimento verde da gonorréia.

Ademais, descobriram um planeta que não gira em torno de nenhum astro. Nada de mais, nenhum meteoro em rota de colisão com a Terra, nem alienígenas fazendo contato.

Esse fim de semana fiquei sabendo que o governo americano manda sinais para o universo em busca de resposta. “O que esses porcos mandam?” eu pensei. Adivinhe: eles mandam nada mais do que o pi. O PI! Aquele número patético! E eles mandam o pi até o último decimal conhecido aqui, para mostrar como somos inteligentes.

Leitor, pare e pense por um segundo. Você recebe uma mensagem com um número enorme e um tipinho filho da puta e arrogante tentando parecer inteligente. Você perderia tempo respondendo? Que ao menos mandasse uma música, ou uma foto da Penélope Cruz ou das praias no Caribe. Ou dos dois! Mas não um número!

“Esqueça, Zanero, essa raça sempre manda esse número fútil e imbecil. Eles devem dar importância demais ao que não tem relevância alguma, está na cara que é um povo entediante. Vamos até a constelação de Fraszeron tomar uma cervejinha e dar uma conferida nas minas. Vai ter um show do Syd por lá...”.


Theo S. da Rocha

sexta-feira, 6 de maio de 2011

sem titulo


O mundo está mudando! E chegando a um prazo final. Antes tarde do que nunca.

É dito por aí que um grande vilão chamado Osama Bin Laden morreu. Lá vamos nós com toda a indústria midiática: livros e filmes sobre a vida do sujeito serão lançados. Notícias sairão a cada segundo com uma fofoca nova e um fato novo sobre o finado e sobre a suposta operação.

Faremos uma pausa antes de tratar dessa irrelevância para abordarmos outra. Na outra coluna eu falei da família real. Eu perdi o casamento na televisão, já que tinha o compromisso inegável de dormir, mas vocês viram o chapéu daquela mina? Por deus! Quando começarmos a invadir planetas, que tal todos nós usarmos um daqueles chapéus, para parecer grandes seres cruéis feitos de mal-gosto com perfumes caros e ensinar ao planeta invadido nossos terríveis hábitos – e talvez dar alguns desses chapéus. Vale a pena uma foto, logo acima postada: “Somos terráqueos. Viemos em paz! Vistam nosso chapéu por apenas 3 dolares e cinquenta!”. Santo deus!

Retornando, ora, vamos assumir que o senhor Bin de Laden não está nem perto de morto! Acha que os EUA não iriam querer exibir imagens disso, se gabando, para o mundo inteiro? Olha o que fizeram com o Saddam! Desta vez eles estão quietinhos demais para seu “grande feito”. Vai por mim, eu entendo dessas coisas.

Ademais, vamos ao assunto dessa coluna. O fato mais importante dos últimos anos: Um fotógrafo captou em uma imagem a briga de um hipopótamo com um crocodilo.

Mas... mas...

Sim, foda-se o oriente médio e todo esse blablabla. Nada do que realmente aconteceu chegará aos nossos ouvidos, ou olhos. Apenas teorias divertidas da conspiração. A questão é que a fantástica notícia do hipopótamo obviamente ocupou a capa, a primeiríssima página de dois jornais! Por que?

Bem, é um pequeno passo para os animais, ou a natureza, mas um grande passo para a humanidade. Mas deixe isso em espera, novamente, por um momento.

Eu agradeço a paciência.

Mãe coruja essa hipopótamo que superprotege seus filhos. Isso se vê por aqui, mas apenas em alguns lugares. Estranhos progenitores com carteiras gordas em seus bolsos da bunda de calças caras ou de bolsas tira-colo (esqueça a alusão ao aborto, é apenas uma utopia) guardam seus filhinhos e filhinhas em casa achando que vão conseguir evitar a proximidade com todo e qualquer perigo. Então se cria um fantástico ser que não busca o perigo, mas o cultiva. Oferece perigo aos demais em situações diversas por nunca ter sentido ele. Dirigem a cento e cinquenta por hora em avenidas, mas tudo bem, porque o carro é blindado.

Assim, mãe coruja-hipopótamo, se ganhou a briga, levou os filhos ao shopping para relaxar comprando um casaco e um perfume importados para que eles frequentem seus colégios particulares em grande estilo, e, assim, fazerem mais amigos.

Mas a mãe ganhou a briga?

Yeah! Finalmente! Chegamos ao ápice da coluna, o real motivo de eu escrever por aqui hoje. Não se sabe quem ganhou a briga.

Tem noção disso, caro leitor? É um feito inédito na história da humanidade e da mídia! Uma notícia de capa foi genuinamente, e sem nenhuma má-intenção, imparcial! “Hipopótamo briga com crocodilo e o momento foi capturado em fotografia”. Mas eles não dizem quem ganhou a briga! Isso sim é não escolher lados! Que exposição plana e sem opinião, um relato genuíno! Ó céus! A teoria invadiu a prática! Ela que vista o chapéu agora, e saia por aí com um alto e fantástico chapéu rosa de lacinho!

A prática finalmente se sujou na lama da teoria. O gonzo está ao seu fim. Pobre Hunter, jamais esperaria que teria sua podridão (ou nobreza) destituída e diluída na derrota de lados para, pasmem, uma mãe hipopótamo de classe alta!

Pelo menos não foi uma criatura da familía real com um chapéu tão neutro quanto a zero hora.


Theo S. da Rocha